Vamo!
Ruud grita 'Vamo!' em um dos gols marcados essa épocaQue grande partida fez o Madrid! Reyes esteve em grande na primeira parte e Diarra foi o dono do meio-campo blanco. A configuração tática adotada por Capello desde a pré-temporada mostra-se acertada, mas só após a entrada de Reyes, a equipe atinge a forma que dela se espera. A chegada do espanhol deu mais velocidade às jogadas laterais e melhorou também o desempenho de todo o meio-campo.
Falando especialmente do meio-campo, vemos uma formação diferente da utilizada em temporadas passadas. Émerson é o primeiro homem no auxílio a dupla Cannavaro-Sérgio Ramos, Diarra joga um pouco mais à frente, com liberdade para avançar, auxiliando Reyes e Raul. Guti é o peão, que gere o jogo de passes idealizado por Capello e talvez o homem mais importante quando se trata de manutenção da posse de bola, item importantíssimo para o sucesso deste esquema. Reyes e Raúl se alternam nos flancos, mas o camisa 19 sempre encontra-se mais avançado, com o fim de explorar sua velocidade nos contra-ataques. Quando na defesa, Raúl tem a missão de auxiliar Guti na marcação na faixa média do campo.
Jogando com mais liberdade do que nos tempos de Lyon, Diarra vem sendo o grande nome do Madrid e hoje, especialmente, esteve em excelente forma. Combina muito bem com Raúl e Guti na criação de jogadas ofensivas, vem tendo grande desempenho na transição e continua com o grande poder de desarme que o consagrou jogando pelo Lyon. Um aspecto que necessita ser melhorado é a distância entre ele e a dupla de centrais. Ainda não possui com Émerson o entrosamento que possuía com Essien, mas com o tempo, se entenderão.
Nesta noite, talvez pelas deficiências técnicas do adversário, Capello tentou sufocar os ucranianos em seu campo, adiantando a marcação. A pressão era constantemente feita em zonas mais altas do campo, em alguns momentos com até cinco jogadores pressionando os defensores do pobre Dinamo e, caso os visitantes conseguissem sair desta pressão, criavam boas jogadas ofensivas, aproveitando-se da pouca marcação no meio-campo.
Talvez se o adversário não fosse o Dinamo, o Madrid poderia ter se complicado, uma vez que, uma equipa com um melhor jogo de passes, como o Lyon mostrou na primeira partida, teria causado sérios problemas à defensiva dos locais. Se Shatskikh, Milevskiy e Diogo Rincón finalizassem como aquela dupla Rebrov-Shevchenko que surpreendeu a Europa vestindo a camisa do mesmo Dinamo, teriam saído do Bernabéu com uma vitória, uma vez que foram inúmeros os contra-ataques proporcionados pelas falhas de marcação do Madrid. É uma falha grave e tem de ser corrigida, não se pode escondê-la atrás dos cinco gols marcados e esquecê-la.
Reyes foi o grande nome do primeiro tempo, com muita velocidade e mostrando que os anos sob o comando de Wenger o fizeram evoluir muito, especialmente em mentalidade. Esteve sempre muito atento quanto ao posicionamento na transição e pressionando os jogadores do Dinamo durante todo o tempo. Raúl também esteve muito bem na partida, demonstrando grandes combinações com Diarra e Guti e bastante disposto, como não se via há anos. Parece-me que, jogando como médio ofensivo novamente, pode voltar ao nível exibicional dos tempos em que municiava Mijatovic e Suker, sob o comando de Capello.
Quanto aos visitantes, destaco a boa atuação do jovem goleiro Rybka. Não se devem tirar conclusões de um jogador acerca de uma partida, mas pareceu-me infinitamente melhor do que o titular, o fraco Shovkovsky.

