30 junho 2006

Aldo Bobadilla, um homem de sorte


Era sua estréia em Mundiais. Estava sentado no banco de suplentes, consciente de que só estava ali para completar. Era claro que seu treinador, Maño Ruiz já havia se decidido quanto à quem seria seu guarda-redes titular. Porém, em um instante tudo mudou. O titular absoluto, Justo Villar sofreu uma lesão muscular e o reserva Aldo Bobadilla se viu entrando no gramado do Waldstadion de Frankfurt. Ao momento em que entrou, sua seleção perdia por 1x0 para a Inglaterra e o placar se manteve até o final da partida, graças à Bobadilla.

Veio o jogo contra a Suécia e mais uma derrota paraguaia. Estavam eliminados do Mundial e o desapontamento era grande entre todos os jogadores. Na última rodada, conseguiram uma vitória contra os trinitinos e deixaram a Alemanha de cabeça erguida. Bobadilla fez um bom trabalho, mostrando segurança e boa técnica. O goleiro, que se destacou jogando pelo Libertad, de seu país, foi uma das boas surpresas daquele time paraguaio.

E hoje, foi anunciada oficialmente sua transferência para o Boca Juniors, da Argentina. O valor divulgado foi de US$ 1,2 milhões, com um contrato válido por duas temporadas. Bobadilla vem para suprir a vaga de Abbondanzieri, que está de saída, rumo ao Getafe. Ainda não há nada de certo na saída do ídolo xeneíze, mas se acontecer, seu lugar será bem ocupado pelo paraguaio. Porém, antes de se incorporar ao plantel azul y oro, Bobadilla recebeu uma missão de seu novo chefe, o presidente Mauricio Macri. Agora em julho, o Libertad irá enfrentar o River, eterno rival do Boca em encontro válido pelos oitavos-de-final da Copa Libertadores e Bobadilla recebeu a tarefa de fechar o gol e assim, eliminar os millonarios. Se o fizer, já será ídolo da torcida xeneíze antes mesmo de chegar à La Bombonera.

27 junho 2006

Apesar de tudo, somos o Brasil!

Os anos passam, os quilos chegam, mas não deixa de ser o 9 que decide

Estamos nos quartos, isso é fato. Passamos com certa facilidade pelos ganeses, Ronaldo voltou a quebrar recordes (e balanças) e no sábado, iremos ao encontro dos franceses. Tudo parece correr bem e do jeito que planejávamos, mas só parece. A apresentação de hoje foi nada mais do que regular e nos mostrou as já evidentes falhas defensivas. Mas de quem é a culpa? É dos médios defensivos, ora essa!

Luís Fernando Veríssimo, grande escritor, certa vez disse que os cabeças-de-área (como são conhecidos os médios defensivos aqui no Brasil) são uma invenção nossa. Segundo ele, sempre tivemos problemas defensivos, nunca tivemos coragem pra admitir isto e assim, inventamos os cabeças-de-área, que estão lá apenas para levar a culpa por toda e qualquer falha na defesa. Deveria estar a pensar em Émerson quando disse isso...

Por falar em Émerson, praticamente não esteve em campo. Não marcou, não desarmou, não armou. A única coisa que fez em campo, foi ser substituído. Na primeira parte, ainda com a presença dele em campo, Asamoah e seus amigos faziam a festa na frente da área brasileira. Temos que agradecer o fato de não ter levado gols no primeiro tempo à Adidas, que fabrica bolas tão boas (e leves). Os ganeses chutavam para todos os lados, menos para o gol, pareciam um bando de Pauletas. Com a entrada de Gilberto Silva, a situação melhorou e houve mais combate à frente da área brasileira.

Quanto a movimentação ofensiva, sinto uma leve melhora. Apesar da apatia de Ronaldinho e da falta de movimentação de Kaká, os bons avanços de Roberto Carlos e a excelente apresentação de Ronaldo terminaram por compensar. Também destaco a boa aparição de Zé Roberto, sempre regular. Ronaldo é um gigante (estou a falar de sua personalidade, não se enganem), fico impressionado com a sua capacidade de decisão, especialmente em momentos adversos. Que outro avançado do mundo iria fazer o que ele fez com o pobre Kingson na situação de pressão em que ele se encontrava? Talvez o João Pinto, mas não é de toda a certeza. Enfim, tem tudo para continuar marcando gols e levando o Brasil à frente.

Tenho certo medo da França. Talvez influenciado pelo trauma de 98, mas me sinto preocupado com Zidane e seus velhos amigos. Tudo bem que a equipe espanhola estava a jogar um futebol mais vistoso, com disposição e uma grande geração em mãos, e todos queriam enfrentar a França. Mas agora que o desejo de todos foi atendido, vem a dúvida. Zidane parece disposto a encerrar sua brilhante carreira da melhor maneira possível, Domenech finalmente parou de atrapalhar e não me sinto bem pensando no duelo Henry-Juan. Por outro lado, somos o Brasil! Temos Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Luisão (é suplente, mas sabe usar os cotovelos como ninguém) e intimidamos a todos que cruzam o nosso caminho. Não que essa seja nossa intenção, pelo contrário, mas nossa história e a camisa amarela tratam de fazer o serviço. E quanto ao sábado, seja o que Deus quiser.

26 junho 2006

Nem um, nem outro



O pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente, já dizia Neném Prancha. Barnetta, Streller e Cabañas trataram de passar os ucranianos aos quartos de final, mesmo sem qualquer merecimento. E assim avança a Ucrânia, tropeçando nas próprias pernas e sendo ajudada pelos diplomáticos suíços. Depois disso tudo, penso que ambos deveriam ser eliminados. Suíços por baterem tão bem quanto Palermo e ucranianos, por não fazerem por merecer estar nos quartos.

23 junho 2006

Precisávamos de um Maestro


Não atribuo a vitória brasileira à entrada de Robinho, à melhora na movimentação ofensiva ou o melhor desempenho de Ronaldo. Parreira ganhou aquela partida ao colocar Juninho entre os titulares. Já estava claro que sua entrada era um fator decisivo para um melhor desempenho brasileiro. A melhora na movimentação ofensiva, o melhor desempenho de Ronaldo, o bom futebol jogado por Ronaldinho, tudo isso foi desencadeado pela entrada de Juninho.

Também tenho que destacar a entrada de Gilberto Silva, que foi simplesmente perfeito em sua função e possibilitou uma maior liberdade ofensiva. A dupla de médios funcionou perfeitamente, desarmando, marcando, não deu espaços aos fracos japoneses e soube sair com a bola. Mas o que mais me impressionou foi a parte ofensiva. Ao mesmo tempo em que melhoraram o desempenho defensivo, conseguiram uma movimentação bem maior do meio-campo, especialmente de Ronaldinho. Todos sabíamos que isso iria acontecer, Parreira sabia que isso iria acontecer, mas não queria dar o braço a torcer. Só colocou Juninho no time quando se tornou inevitável não fazê-lo.

Ao analisar o aspecto tático do meio-campo, não notamos muita diferença em relação àquele Brasil dos dois jogos anteriores. Gilberto Silva atuou como primeiro médio-defensivo, da mesma maneira que joga Émerson. Juninho jogou como um médio central, a cair mais pela esquerda, como Zé Roberto. Ronaldinho desta vez não se prendeu tanto no lado esquerdo, como faz no Barcelona e se movimentou mais por toda a área ofensiva, conseguindo boas jogadas pelo meio. Kaká não atuou bem, mas ocupou o mesmo espaço de sempre, sempre pela direita. Porém, desta vez preferiu jogadas coletivas, especialmente com Cicinho e Robinho ao invés das costumeiras arrancadas solitárias pela direita. E a entrada de Robinho contribuiu e muito para a melhor variação de jogadas da equipe, possibilitando melhor toque de bola.

A diferença toda consiste no aspecto técnico. Gilberto Silva pode até não desarmar como Émerson, mas sua destreza com a bola aos pés está anos-luz à frente do jogador da Juventus. Juninho fez com que o time saísse da comodidade e se movimentasse, fazendo fluir o jogo ofensivo brasileiro. Com ótimos passes, bons remates de longe e estimulando a movimentação ofensiva, Juninho foi o melhor em campo, isso é fato. Ao jogar menos preso na esquerda, Ronaldinho conseguiu boas triangulações com Ronaldo e distribuiu bem o jogo. Kaká teve a ajuda de Cicinho e Robinho, e mesmo não brilhando tanto quanto em outros jogos, fez do jogo coletivo o mais importante. Estava claro que não iria haver 'mágica' com Adriano e Ronaldo em campo, ocupando o mesmo espaço. Com Robinho entre os titulares, há maior mobilidade e a parte ofensiva direita fica mais fortalecida.

Juninho entrou, correu, marcou, passou, marcou gol e encantou a todos. Me parece que no meio de todos aqueles artistas do samba, ele é uma espécie de mestre de bateria, que rege o ritmo de seus companheiros, aquele que sabe exatamente a hora de acelerar o ritmo ou segurar mais o ímpeto da equipa.


PS: E a atuação 'calem-se, críticos!' da rodada, ficou por parte de Ronaldo. Sempre acreditei que ele podia ser um fator de desequilíbrio, e ontem esteve a provar isso.

19 junho 2006

Confiança contagiante

- Tu viste a gravata do La Volpe?

A falta de mágica do quadrado 'mágico', o desaparecimento de Ronaldinho, a forma esférica, digo física de Ronaldo, a vulnerabilidade da defesa, os constantes erros de passe de Émerson e a insistência de Parreira em deixar dois atacantes 'pesados' no time titular. É só do que se fala em toda a imprensa brasileira. Já não aguento mais. É certo que até agora, Ronaldo e seus amigos não jogaram o futebol-arte de que eles se espera. Porém, há alguns fatos que devem ser levados em consideração.

Ao contrário da imprensa e grande parte dos torcedores, é sabido que os jogadores canarinhos, especialmente depois da Copa das Confederações, foram tomados por uma incrível auto-confiança. Devem estar a rir ao ver toda a preocupação de nosso povo com suas atuações razoáveis, já que para eles o Mundial só começa quando enfrentarem um adversário digamos, competitivo. Não que a Croácia e Austrália não tenham demonstrado competência suficiente para segurar o incrível Brasil, mas o fato é que, contra Croácia e Austrália, o incrível Brasil não estava em campo. Aquele lá era o acomodado Brasil, que só jogou o suficiente para ganhar e assim, se classificar aos oitavos. Não esperem contra o Japão o incrível Brasil em campo, mas com a possível entrada de reservas, quem sabe possamos ver o esforçado Brasil.

Já que falamos da Copa das Confederações, vamos recordá-la. É lembrada como um momento de afirmação e grande demonstração do futebol-arte pela imprensa. Mas aquilo de que os entendidos do esporte se recordam é apenas parte do ocorrido. Não se lembram dos jogos medíocres contra Japão, México e Grécia. Lembram apenas do bom jogo contra os alemães e da grande apresentação contra a Argentina. É por isso que digo que nossos heróis só se sentem suficientemente motivados ao enfrentar grandes times.

Sabemos que qualidade e auto-suficiência eles têm de sobra. Estou tranquilo e certo de que, a partir do momento em que eles enfrentarem adversários que, ao menos, consigam marcar gols em Dida, correrão o necessário, jogarão tudo aquilo que sabem e como sempre, ganharão o Mundial. Não temos que temer ninguém, visto que somos os temidos. Sempre foi assim e sempre será. Para provar essa afirmação nada humilde, lhes transcrevo aqui uma pequena parte daquilo que o companheiro argentino Gonzalo Sala escreveu recentemente no Castigo Máximo, depois da vitória de sua seleção por 6x0. 'Pero por otra parte, todavía siguen sin demostrar mucho los demás equipos, y por ahora el único imbatible, aunque haya hecho un mal partido, sigue siendo Brasil'. Ouviram? Imbatível!

Por último, deixo um conselho para os amigos da imprensa. Não se preocupem, disfrutem o Mundial, guardem em suas memórias grandes embates como Croácia x Japão, aproveitem bem sua estadia na Alemanha, porque quando chegar a hora, o quadrado ganha mágica, Ronaldinho aparece, Ronaldo emagrece, Juan & Lúcio se tornam paredes, Émerson passará como Zidane e Parreira... esse vai continuar sendo insistente, mas isso é assunto para depois.


PS: aos que não viram a gravata de La Volpe, eu e Ronaldinho recomendamos.

14 junho 2006

Volta às origens

A cada jogo da Alemanha que assisto, fica cada vez mais clara a idéia de que eles não jogam futebol. Jogam alguma coisa parecida com o desporto-rei, a qual não consegue ser imitada, reproduzida ou idealizada. É simplesmente o jeito alemão de jogar. Para os que estão curiosos, a imaginar o que seria isso, recomendo assistir novamente à partida de hoje. Jogo feio, duro, muito marcado. 46 minutos da segunda etapa, bola para Odonkor na direita, cruzamento e finalização sofrida de Neuville. 1x0, três pontos e classificação quase assegurada. Esse que é o placar mais comum nessa modalidade jogada pelos germânicos.

Aos que pensavam que, comandados pelo 'revolucionário' Klinsmann, os alemães iriam mudar sua maneira de jogo, talvez até se aproximar do futebol, estão enganados. Aquele time ofensivo, estabanado e 'alegre' da primeira partida foi apenas um teste, que não agradou. Marcaram quatro, mas levaram dois e levar dois gols em um jogo, especialmente contra os costa-riquenhos, é inadmissível. Klisnmann ouviu os clamores de seu conselheiro, que saiu dizendo por aí que achava que estavam a jogar muito ofensivamente, e voltou aos padrões nacionais. Resultado: festa em Dortmund.

Depois desse 1x0, o conselheiro está nas nuvens

É tudo uma questão geográfica


Quando vi os 'Filhos do deserto' adentrarem o relvado do Allianz Arena, tinha alguma esperança de que eles iriam apresentar um futebol, no mínimo, competitivo. A principal razão da minha crença estava na cor do uniforme árabe usado, o típico 'verde-esperança'. As outras, menos importantes, eram a presença de um técnico brasileiro (não que isso signifique alguma coisa...) no 'comando' e a presença de Yasser Al-Qahtani em campo. Ouvi dizer por aí que o garoto sabe o que fazer com o esférico e estava confiando em seu talento. Porém, minhas esperanças só duraram 45 minutos. No intervalo, após um primeiro tempo digno de um 'Tunísia x Arábia Saudita', não acreditava mais no garoto Al-Qahtani e pensava, ainda sonolento, que Paquetá (ou será que foi ordem do homem de bigodes, vestido de branco, sentado na tribuna?) estava a brincar, ao colocar seu time em um 4-5-1.

O jogo melhorou (piorar era impossível), talvez pelo fato dos arábes atacarem virados para Meca e Al-Qahtani marcou. Esperanças renovadas, especialmente pela entrada do inoxidável Samir Al-Jaber. Para alegria minha, de Paquetá e do amigo de bigodes, gol de Al-Jaber e virada. Agora era só segurar o resultado e conseguir a primeira vitória em estréia de Mundiais. Essa era a parte mais difícil, e Jaidi tratou de provar isso. O que podia ter sido uma grande vitória, foi um grande empate para os árabes. Nem me arrisco a deixar aqui um palpite para o próximo jogo deles, pois tudo depende da escolha de lados...

11 junho 2006

O Laranja Imparável

Pobre Duljaj...

Robben está a resgatar as melhores lembranças do futebol de décadas passadas. Está desempenhando o papel de extremo-esquerdo (ou ponta, como queira) a ponto de lembrar atuações de Gento, Canhoteiro, entre outros grandes. Não estou aqui para lhes dizer que o garoto holandês está ao mesmo nível dos citados, mas pela sua atuação de hoje fez emocionar os saudosistas. Muitas vezes ainda peca pelo individualismo, mas para jogar por ali, não se pode ser dos mais voluntariosos.

A rapidez de seus movimentos, a facilidade que tem para escapar de seus (pobres) marcadores e o modo com que alterna sua velocidade são dignos de nota. Nem se percebe, mas é justamente essa mudança brusca de velocidade com a bola dominada que está a perturbar o júizo dos sérvios até agora.

Sua atuação hoje me encantou. Se continuar nesse ritmo, pode levar os holandeses a vôos mais altos nesse Mundial. Gostaria de ver esse Robben de hoje durante toda a época em Stamford Bridge, mas as lesões não deixam. Com um pouco mais de resistência aos duros golpes de seus marcadores, esse garoto tem tudo para se tornar um dos grandes do futebol mundial.

06 junho 2006

Irresistível


Tomado pela emoção Mundialista (e também pela ansiedade de ver cenas como essas), não consegui resistir e anuncio à quem interessar que o Estádio Vazio está de volta às suas atividades.