17 março 2006

Esqueceram de avisar o Tévez


Após a demissão de Antônio Lopes do comando técnico do Corinthians, os jogadores tentam demonstrar apoio irrestrito ao treinador interino Ademar Braga. Apenas tentam, através de entrevistas e declarações demonstrar total confiança em seu treinador atual e provar para a torcida que ele tem condições de ser efetivado como treinador para os próximos meses. Porém, esse discurso não está muito bem ensaiado. Enquanto os jogadores pedem a permanência de Ademar, a diretoria busca um treinador 'brasileiro e com experiência em competições continentais', categoria em que se encaixa Paulo Autuori, atualmente no Kashima Antlers, do Japão. Ao mesmo tempo em que o zagueiro e líder Betão vem aos microfones para dizer que 'o grupo está fechado e apoia o Ademar', Kia Joorabchian e seus 'comparsas' estão tentando tirar Autuori da Ásia a todo custo, mesmo que sem muito sucesso. Mas hoje, um fato chamou a atenção. Ao ser entrevistado pela Rádio La Red, de Buenos Aires, no programa 'De Una com Niembro' Carlitos Tévez estava a falar de sua lesão no joelho direito e que iria visitar o médico da seleção argentina, Donato Villani para saber de seu estado e se estará apto a participar do jogo de quarta-feira, ante o Tigres pela Libertadores. Até aí tudo bem. Quando perguntado sobre a atual situação no Corinthians, Tévez respondeu: 'É um clube com muita pressão. Antônio Lopes, por exemplo, foi campeão mas perdeu dois jogos e teve que renunciar. Agora tem que vir um treinador de muito nome e grande personalidade.' É, parece que Carlitos esqueceu de combinar com seus colegas de time e preferiu ficar do lado do 'chefe', Kia.

16 março 2006

Antes e depois da 'neblina', só deu Goiás


Eram jogados 11 minutos do segundo tempo, o placar apontava 2x0 para os locais, que dominavam amplamente a partida. Sua torcida tinha todos os motivos para comemorar, mas essa comemoração não correu como o planejado. Ao acender sinalizadores, a fumaça provocada por eles invadiu o campo de maneira que não se conseguia mais ver nada. O juiz uruguaio Roberto Silveira foi obrigado a parar a partida por 8 minutos, até que a situação se normalizasse. Mesmo com a pausa, o Goiás continou dominando a partida e aos 33 minutos do segundo tempo, em um contra-ataque fulminante, o defensor Gastón Aguirre colocou a mão na bola dentro da área. Expulsão e pênalti para os locais, convertido por Romerito.

Outros resultados da noite: Palmeiras (BRA) 0x0 Rosário (ARG); Cienciano (PER) 2x1 Caracas (VEN) e Bolívar (BOL) 1x2 Sporting Cristal (PER).

15 março 2006

Em busca de preciosos pontos

Chegamos a mais uma rodada da Copa Libertadores 2006. Bons jogos movimentam a noite de quarta-feira. O Goiás, líder do Grupo 3 com 6 pontos em 2 jogos disputados, recebe o Newell's Old Boys, segundo colocado deste mesmo grupo com 4 pontos em 2 jogos. Outro bom jogo da rodada é Palmeiras x Rosário Central no Palestra Itália, em São Paulo. Essa partida é de extrema importância para a equipe canalla, que precisa da vitória se ainda quiser sonhar com a classificação. Uma vitória dos anfitriões lhes devolve a liderança do Grupo 7, que está nas mãos do Atlético Nacional, que venceu ontem o Cerro Porteño por 5x1 em Assunção.


Goiás x Newell's Old Boys

A equipe goiana tem a seu favor uma boa campanha até o momento. Duas vitórias pelo mesmo placar (2x0), sendo uma como visitante contra o Unión Española na estréia e uma como local, ante a equipe boliviana do The Strongest. Outro trunfo do Goiás é a presença marcante de sua torcida no Estádio Serra Dourada. Já a equipe do Newell's vê nesse confronto, um jogo-chave para sua classificação. O próximo jogo da equipe leprosa é justamente contra o Goías, pela 4ª rodada do Grupo 3 e acontecerá em 23 de março no Colosso del Parque, em Rosário.

O Goiás alinha num 3-5-2 ofensivo com Harlei; Júlio Santos, Rogério Correa e Leonardo; Vítor, Cléber, Danilo Portugal, Romerito e Jadílson; Weliton e Sousa. Já o Newell's vai a campo com Justo Villar; Gavillán, Aguirre, Spolli e Ré; Belluschi, Husaín, Zapata e Lucero; Ortega e Scocco.

Palmeiras x Rosário Central

Já o arqui-rival do Newell's, o Rosário não está a passar bons momentos nessa Libertadores. Até o momento a equipe não somou sequer um ponto na competição e se ainda estiver pensando na classificação, tem que vencer hoje de todo jeito. Além disso, os canallas viajaram com duas baixas no time. O defensor Germán Rivarola e André Díaz, que estão fora por lesão. A novidade na equipe é o novo treinador, Leonardo 'El Negro' Astrada que estreiou na equipe no fim de semana, empatando por 1 a 1 com o Racing Club. Pelo lado alviverde, são boas as expectativas para essa partida. Mais uma vez, casa cheia e equipe ofensiva. Liderados por Edmundo, os palmeirenses tentam manter um tabú: não perdem para um time argentino em seu estádio desde 1969.

O Palmeiras vai a campo com Sérgio; Gamarra, Daniel e Douglas; Paulo Baier, Marcinho Guerreiro, Alceu, Marcinho e Márcio Careca; Edmundo e Enílton, no 3-5-2. E o Rosário vai de Castellano; Moreira, Raldes, Fassi e Villagra; Encina, Ledesma, Borzani e Eluchans; Vitti e Rubén.

09 março 2006

Maldito favoritismo

Nas condições atuais, o Brasil é favorito a conquista da Copa do Mundo 2006, isso é fato. Mas isso me assusta. Através da história o favoritismo nunca nos fez bem, nunca soubemos como lidar com ele. Na Copa de 50, no Brasil, éramos favoritos não só por jogar em casa, mas também por ter um grande time. E deu no que deu, Ghiggia calando o Maracanã lotado. Choro de 200 mil torcedores presentes e mais alguns milhões pelo Brasil que esperavam ansiosos a vitória de seu selecionado, pelo rádio. Em 58, não éramos favoritos, mas ganhamos. Já no Mundial de 62, tinhamos um certo favoritismo por sermos os atuais campeões do mundo, mesmo com um time velho (o terceiro jogador mais novo do Brasil naquela Copa, Vavá estava com 27 anos na época do Mundial). Já em 70, haviam outras grandes seleções, como a Inglaterra e Itália, mas ninguém foi capaz de parar Gérson, Rivellino, Jairzinho, Pelé e cia. Em 1982, o Brasil era tão favorito quanto é agora. Com uma equipe de craques, como Zico, Sócrates, Falcão e Júnior o Brasil não soube aplicar seu 'futebol-arte' e acabou perdendo, causando uma grande decepção na população brasileira, que já dava como certa a conquista do tetra. No Mundial dos Estados Unidos, ninguém acreditava no Brasil antes da competição começar. Porém, com o decorrer dos jogos notou-se que aquela equipe, apesar de jogar de maneira diferente do que era esperado de uma seleção brasileira, foi adquirindo confiança. Muito bem postada defensivamente, e contando com uma dupla de atacantes infernais, Romário e Bebeto, ganhamos aquela Copa. Quatro anos depois, tentávamos o penta. Mas aconteceu o inverso do que ocorreu em 94. Ao invés de comprovar sua força durante a Copa e ir evoluindo, o Brasil não jogou um grande futebol, exceto na semifinal contra os holandeses. Na final, até hoje não sei o que aconteceu, e penso que nunca saberei. Muitos pensam que o Brasil 'se vendeu'. Já eu, penso que falta humildade a nós, para admitirmos que perdemos 'na bola' e ponto. Em 2002, tinhamos todos os motivos para não acreditar em Felipão e seus comandados. Uma das piores campanhas do Brasil na história das Eliminatórias, precisando se classificar no último jogo contra a Venezuela. Ao chegar na Coréia/Japão, a mágica brasileira entrou em campo. Com grandes atuações, fomos deixando os favoritos pra trás, até batermos a Alemanha, na final. Aquela dupla Rivaldo/Ronaldo nunca deixará nossas mentes e corações, podemos dizer que eles ganharam aquela Copa, do mesmo jeito que Romário/Bebeto ganharam a de 94.

Não há dúvidas quanto a qualidade do plantel canarinho que vai a Copa da Alemanha. Temos em mãos uma das melhores gerações de jogadores dos últimos 30 anos. Ronaldinho, Ronaldo, Robinho, Juninho, Kaká, Adriano, Cafú, Roberto Carlos, etc. Especialmente depois do grande desempenho na última Copa das Confederações, o favoritismo veio todo para o lado brasileiro. Apesar de ser um grupo experiente e acostumado a lidar com pressões, penso que isso pode afetar e muito o desempenho brasileiro no Mundial. Todos esperam que o 'Escrete Canarinho' repita em todos os jogos atuações do nível daquela em que vencemos a Argentina por 4x1, mesmo sabendo que isso é impossível. Não se pode exigir de uma equipe que jogue brilhantemente todas as partidas. Muitas vezes, penso que é melhor ganhar, do que 'dar espetáculo'. Se possível, faremos os dois, porém se tivermos que escolher apenas um, escolho ganhar. E esse favoritismo exacerbado do lado brasileiro, fortalece os nosso adversários. A Argentina, depois da derrota humilhante na final da Copa das Confederações, está 'esquecida'. E penso que estão a gostar disso. O treinador José Pekerman tem a sua disposição jogadores do calibre de Riquelme, Crespo e Saviola e ainda pode contar com grandes revelações, como Carlitos Tévez, Messi, Palacio e Aguero. Apesar de viver momento turbulento, os ingleses tem um grande time. E os alemães, apesar de não estarem jogando o melhor de seu futebol, sempre se fortalecem em Mundiais, ainda mais jogando em casa. A 'Squadra Azzurra' está eufórica, depois do último amistoso. Esperando a volta de Totti a tempo, os italianos pensam que tem total capacidade de vencer o Mundial. Não só eles, como eu também. Além dessas citadas, há seleções com ótimos jogadores e que podem surpreender. Portugal, além de C. Ronaldo, Pauleta e Figo, tem Luiz Felipe Scolari. Ele já mostrou seu poder de motivação na última Copa e os portugueses esperam que ele se torne o primeiro técnico a ser campeão mundial com duas seleções diferentes. Apesar de estar passando um momento de renovação, a Holanda também incomoda. Ainda podemos citar França, Espanha e Costa do Marfim como seleções de que podemos esperar algo mais nessa Copa.

Lembro mais uma vez. O favoritismo nunca nos fez bem, e muitos de nossos principais jogadores não vivem bons momentos em seus clubes. Dida, Cafú, R. Carlos, Adriano e Ronaldo não estão a passar o melhor de suas carreiras, e seu desempenho é muito importante para a confirmação do favoritismo brasileiro na Alemanha.