30 janeiro 2006

Romário, Eterno


40 anos de idade, dos quais 20 como profissional, 950 gols (segundo as contas do próprio) e inúmeras polêmicas. Jogador que o Brasil aprendeu a admirar. Não só pela sua grande capacidade de fazer gols (muitos deles decisivos), mas também por sua capacidade, talvez maior do que a de marcar gols, de criar polêmicas. Ao falar de Amadeo Carrizo, grande guarda-redes do River Plate da década de 60, o jornalista argentino Iozzi Masinni fala dessa categoria de jogadores, os considerados prepotentes, fanfarrões.

"Em qualquer ordem humana de convivência temos sido críticos severos de todo aquele que em qualquer circunstancia ou posição tenha feito desmedido alarde de suas virtudes ou condições(...) Não nos agrada essa classe de desportistas, mas não podemos deixar de estimar a qualidade que neles transborda. Carrizo é um dos maiores guarda-redes que nosso futebol teve na era profissional. Suas atitudes, que sempre mereceram nossa crítica, não diminuiram sua brilhante personalidade de excepcional arqueiro. E não é todos os dias que aparece uma figura de seu quilate."

Faço minhas as palavras de Masinni. Romário, um dos maiores avançados da história do futebol brasileiro vai ficar marcado para sempre em nossas cabeças. Nos deu uma Copa do Mundo, depois de 24 anos sem títulos mundiais e com uma equipe que tinha nele seu principal jogador. Alegrou torcidas Brasil afora. Ídolo no Flamengo e no Vasco. Ao mesmo tempo que desequilibrava dentro das quatro linhas, falava mais do que devia fora delas. Frase típica dita por ele, caracteriza bem quem é o homem dos 950 gols. "Quando eu nasci, Papai do Céu apontou pra mim e falou 'Esse é o cara' " Muitos não gostam de suas atitudes, mas seu talento dentro de campo é inegável. Sinceramente, penso que se não fosse arrogante do jeito que é, não seria Romário. Seria apenas mais um grande artilheiro do futebol brasileiro. Mas ele não está satisfeito com isso. Ele quer mais, quer chegar a emblemática marca dos mil gols. Artilheiro da última edição do Campeonato Brasileiro aos 39 anos, quando perguntado se ainda continua a jogar nos próximos anos ele respondeu: "Não sei, devido a parte física, mas se depender da parte técnica continuarei por muitos mais anos. Esse pessoal que tá começando agora é muito fraco." Sua meta para 2006 é chegar, ou ao menos se aproximar dos mil gols. Já nos deste tantas alegrias, que fechamos os olhos para tuas contas de gols. Polêmico, arrogante e um dos maiores atacantes da história do futebol mundial. Assim como outros grandes do futebol mundial, tu serás eterno em nossas lembranças.


PS: 950 gols de acordo com contas do próprio Romário. Recentemente o PSV Eindhoven divulgou que o Baixinho nunca marcou 9 gols que ele incluiu em sua conta pelo clube.

23 janeiro 2006

UCL, Análises e Previsões - Cap. 1

Siga o conselho dos teus adeptos, ó Benfica.

A pouco menos de um mês da 1ª mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League, começam os palpites. Teremos alguns confrontos bem interessantes, como não poderia ser diferente, por se tratar da melhor competição de clubes do planeta. Vamos aos embates, que serão divididos em duas partes. Uma agora e outra, que virá em alguns dias.

Bayern x Milan

Com os italianos a atravessar um momento não muito bom em sua liga doméstica, os comandados de Carlo Ancelotti devem apostar todas as fichas na conquista da Europa, depois de perder a final da edição passada, em um jogo histórico ante o Liverpool. Só resta saber se as fichas dos rossoneri serão suficientes para conquistar o título, visto que não são considerados tão favoritos quanto Juventus, Chelsea e Barcelona. Pelos lados de Munique, o Bayern, como sempre está a liderar a Bundesliga, e busca o pentacampeonato da Champions League, já que venceu em 1974, 75, 76 e 2001. Com um time forte, liderado por Ballack e com o já citado espírito de equipe alemão, é um forte candidato ao título. Nesse confronto, aposto no Bayern.

Benfica x Liverpool

Apesar de muitos já darem esse duelo como vencido (pelos ingleses, é claro) acredito muito nos portugueses. Depois da classificação heróica, com vitória sobre o temido Manchester United, os comandados do Sr. Ronald Koeman, parecem estar confiantes em uma boa vitória no Estádio da Luz e assim, tentar defender sua vantagem em Anfield. Outro fator que pode favorecer os benfiquistas é um possível espírito de "já ganhou" do Liverpool, contaminados pela tão profissional imprensa de seu país. Já os atuais campeões, ao que me parece, perderam aquela magia depois da conquista do título da temporada passada. Mesmo assim, o capitão Steven Gerrard tem uma boa equipe ao seu lado, e pretende erguer mais uma vez a taça, que seria a sexta dos Reds. Contra tudo e contra todos, aposto no Benfica. Não me perguntem por que, somente instinto.

Real Madrid x Arsenal

Se esse encontro tivesse acontecido há duas ou três temporadas atrás, atrairía toda a atenção da imprensa mundial. Como as coisas mudam, atualmente com as duas equipes a atravessar um momento não tão bom quanto de anos passados, o resultado desse duelo é dos mais imprevisíveis. Os espanhóis parecem atravessar uma boa fase (passageira, como sempre) ao comando de López Caro, e estão com a confiança elevada após boas atuações da equipe e de seus principais astros, como Zidane, Beckham e Robinho. Não se sabe se essa fase dura até o confronto contra o Arsenal, os torcedores do time de Florentino esperam que sim. Os Gunners também parecem estar a esboçar uma reação, com boas vitórias na Premiership e nas Copas que disputa. Depois do hat-trick de Henry, na vitória de 7xo contra o (time de juniores, diga-se de passagem) Middlesbrough. Com ambas equipes sem chance em seus campeonatos locais, a hora é de priorizar a competição continental, que pode salvar a temporada de ambos. Palpite? Com Ronaldo de volta, Real Madrid. Sem Ronaldo, sinceramente que não sei.

PSV x Lyon

Reeditando o confronto dos quartos-de-final da edição passada da UCL, as equipes voltam a se enfrentar. Um embate que me parece muito interessante, já que ambas equipes lideram seus campeonatos domésticos e tem ótimas equipes. Os comandados de Guus Hiddink rumam ao bicampeonato na Holanda, e querem mostrar força a nível continental mais uma vez, após darem trabalho ao Milan nas semi-finais em 2005. Não tem nenhum jogador que possa desequilibrar, mas com uma equipe muito ajustada e entrosada, os holandeses tem boas chances. O Lyon, que caminha a passos largos ao pentacampenato em sua Liga, vem para esse confronto apostando em se consolidar em uma das novas forças continentais, visto que o domínio nacional já é evidente. No mercado de verão, mesmo perdendo Essien, a equipa parece ter melhorado. Com as chegadas de Carew, Fred e Tiago, o técnico Gerard Houllier tem um time bastante equilibrado em todos os setores, e com alternativas que podem mudar o rumo de uma partida. Ao contrário do PSV, o Lyon tem sim um fator de desequilíbrio, e ele atende por Juninho. Um dos melhores marcadores de livres do planeta, o brasileiro pode facilmente decidir um jogo em uma bola parada. Como já devem ter percebido, na minha opinião, o Lyon é favorito.

As partidas de volta serão disputadas em 08/03, enquanto que a 1ª mão está marcada para o dia 21/02.

21 janeiro 2006

Pequenos, mas só por enquanto

Fato interessante que vem ocorrendo na Europa nos últimos anos, é o surgimento de novas forças futebolísticas. Clubes antes considerados de pequeno e médio porte, têm se tornado uma verdadeira dor de cabeça para as equipes mais tradicionais. É claro que esses clubes não se tornarão grandes forças, a nivel continental de uma hora pra outra, mas se continuarem nesse ritmo, dentro de 10 ou 15 anos poderão dominar o cenário europeu. São clubes muito bem estruturados, administrados de maneira muito responsável e têm a seu favor uma série de fatores. O principal deles é o fato de, por serem equipes sem muita tradição, a pressão da torcida e da imprensa por resultados e títulos é muito menor do que em clubes de grande porte, caso de Real Madrid, Manchester United, entre outros. Isso faz com que se possa trabalhar com tranquilidade, com metas a serem cumpridas a médio e longo prazo. Grande parte dessas novas forças do futebol do Velho Continente, não tem tradição (ou seja, conquistas ao longo de sua história que justificam respeito de seus adversários), quase sempre estão localizados em cidades de médio porte, onde não há pressão por resultados e geralmente, é o único clube da cidade, o que faz com que receba apoio integral de toda a população local. Outro fator que facilita o fortalecimento dessas equipes, é que para uma equipe que sempre habitou divisões inferiores, só pelo fato de estar na Primeira Divisão de seu país, já representa grande conquista para toda sua torcida, não importando a colocação final. Mas um contraste que existe, e que é muito positivo nessa escalada de clubes pequenos, é que mesmo com toda a tranquilidade da torcida e sem cobrança de resultados, os dirigentes dessas equipes, por sua vez, são muito profissionais e ambiciosos. Sempre estão a aspirar o sucesso de suas equipes, procurando cada vez mais vôos mais altos e glórias. El Madrigal lotado em dia de jogo: clubes pequenos contam com total apoio local

Se tem uma equipe que pode ser citada nessa categoria de "clubes emergentes", esse clube chama-se Villarreal. Simplesmente porque se encaixa em todas essas características citadas acima. Até alguns anos atrás vivia sempre em divisões inferiores. Somente na temporada 1986/7 a equipe conseguiu chegar a Segunda B (ou seja, Terceira Divisão). Desde essa temporada, a equipe se alternava entre divisões regionais, Segunda B e Segunda Divisão, mas na temporada 1997/8 a equipe conseguiria chegar a tão sonhada Primeira Divisão, estreando em 31/08/1998. Mas o sonho do Submarino Amarillo, durou pouco. Somente uma temporada, e já estavam de volta a Segunda Divisão. Apesar da decepção, os amarelos não se abateram e voltaram a Primeira Divisão logo na época seguinte, ou seja no ano de 2000. Desde então tem se mantido na elite espanhola. Nos primeiros anos na Liga, a equipe não fez mais do que o que se esperava dela. Apenas se manteve, mesmo que sem muito brilho. Depois de consolidar seu lugar na Primeira Divisão, chegou a hora de crescer. Com o aumento das cotas de televisão, rendas de ingressos e venda de alguns jogadores, o Villarreal tinha dinheiro em caixa. E soube bem o que fazer com ele. Trouxe um técnico com grandes conquistas no futebol argentino, o chileno Manuel Pellegrini, e com ele, vieram bons jogadores argentinos. O primeiro a chegar foi o lateral Rodolfo Arruabarrena, vindo do Boca Jrs. em 2000, e que hoje é um dos grandes líderes da equipe. Entretanto, uma contratação que foi um marco nessa escalada ao sucesso da equipe, foi o empréstimo do inadaptado no Barcelona, Juan Román Riquelme. A partir daquele ponto, o Submarino Amarillo mostrou que chegou na Primeira pra ficar, e para brigar por títulos. Riquelme é hoje, um dos maiores jogadores do continente europeu, e praticamente, o "dono" do time. Temporada passada, os amarelos conseguiram chegar a um histórico terceiro lugar, e consequentemente classificação a Liga dos Campeões. Na atual temporada, com a equipe disputando as duas competições, o desempenho na Liga não tem sido tão bom quanto o da temporada passada, mas mesmo assim não está a fazer feio. Como já citei em posts anteriores, é muito difícil para equipes que não possuem plantéis muito profundos disputar sua liga doméstica e uma competição européia ao mesmo nível.

Outros exemplos de clubes que vêm ao longo dos anos, subindo de produção e incomodando os grandes de seus países, são AZ Alkmaar (da Holanda), Palermo (da Itália) e Bolton Wanderers (da Inglaterra), entre outros.

20 janeiro 2006

Two-and-a-half


Nessa temporada, parece surgir mais um fenômeno no futebol inglês. Theo Walcott, 16 anos. Depois de Owen, Alan Smith e Rooney, agora é a vez de Walcott brilhar como astro adolescente. Jogando no fraco Southampton, Theo atraiu a atenção da imprensa inglesa, com habilidade e rapidez incríveis. É noticiado que o Arsenal, estaria disposto a pagar £12,5m para tirar o jovem avançado do Saints. Segundo os confiáveis tablóides ingleses, o Chelsea, assim como o Tottenham também estariam interessadosno miúdo maravilha, mas ele quer ir para o Arsenal, e ponto final. Nem que o Chelsea fizesse uma proposta recorde, de £30m o garoto iria para Stamford Bridge. Depois da contratação de Diaby e Adebayor, Arsene Wenger admitiu ter contratado "dois jogadores e meio". Se a contratação está certa, ninguém sabe, mas que os Gunners estão bem próximos, isso estão.

Não, Mr. Walcott, não são tres reforços. São dois e meio (e se não notaste, tu és o "meio")

15 janeiro 2006

Na Inglaterra, You'll Never Walk Alone


Recentemente, foi feita uma pesquisa interessante nos Estados Unidos. Foi perguntado a um grupo de fãs de esportes, todos homens, entre 15 e 40 anos, o que eles preferiam ganhar: um season ticket (carnê com ingressos para toda a época) ou um pacote para acompanhar todos os jogos de sua equipe pela televisão (0 chamado Pay-per-View). Para surpresa de todos, a maioria escolheu o Pay-per-View. É um fenônemo que já vem ocorrendo nos últimos anos, principalmente em países desenvolvidos. Com o aumento de transmissões televisivas, os torcedores estão, cada vez mais, preferindo comprar pacotes de transmissão do que ir acompanhar a ação esportiva de perto, em ginásios ou estádios. No Brasil, por exemplo, o torcedor pode comprar o pacote do Pay-per-View do Campeonato Brasileiro, com todos os jogos disponíveis, por apenas R$ 250 (pouco mais de 100 euros). Se ele torcer por uma grande equipe, como Corinthians, Flamengo, Vasco, Internacional, Cruzeiro ou São Paulo, tem a certeza que vai acompanhar todos os jogos da temporada, sem exceção, ao vivo, não importando o fato do jogo ser em casa ou fora. Se tiver o "azar" de torcer por times menores, vai ter entre 60 e 70% dos jogos transmitidos, mesmo sendo da Segunda Divisão. Na temporada passada, as equipes da Primeira Divisão, a chamada Série A, tiveram 21 jogos em casa. Se considerarmos R$ 30 o preço medio gasto por partida (R$ 15 do ingresso e mais R$ 15 entre transporte, lanches e outros), um torcedor gastaria R$ 630 para apoiar seu time por toda a época. Ou seja, mais que o dobro do que gastaria comprando os jogos pela TV. Analisando a relação custo-benefício, ainda acho a ida ao estádio mais vantajosa. O calor transmitido pela torcida, a emoção da partida, é uma mistura de sentimentos incomparável. E além do mais, o pacote do Pay-per-View ainda é, para a maioria dos torcedores, inacessível, financeiramente. Porque é pago de uma vez só, ao contrário dos ingressos, que são pagos gradativamente ao longo do ano. E muitos dos torcedores, não vão aos 21 jogos, porque sua situação economica não lhes permite. Em regiões mais pobres do país, como o Nordeste, mesmo com quase todos os clubes na Segunda ou Terceira Divisão, as médias de público são as melhores do país. O Sport Recife, por exemplo, na temporada passada, disputou a Série B, nunca esteve pelas partes altas da tabela, mas teve média de público superior a 20 mil torcedores. Já em regiões com poder aquisitivo maior, como São Paulo, Rio de Janeiro, etc, os torcedores não comparecem tanto como no Nordeste, talvez por conta da TV, ou até mesmo pelo grande número de equipes disputando competições e o alto número de jogos, o que faz o torcedor "enjoar" de futebol. O que podemos concluir é que, no Brasil, as transmissões televisivas ainda não estão a ter um grande impacto no número de torcedores que vão aos estádios, acompanhar ao vivo.

Na Europa, o quadro é totalmente diferente. Os pacotes Pay-per-View não são tão baratos quanto no Brasil, nem abrangem todas as partidas de cada equipe. Na Inglaterra, por exemplo, depois da criação da Premiership, em 1991, o quadro mudou totalmente. Desde então, os clubes investiram mais de £1 bi em melhorias nos seus estádios, para atrair os torcedores, que tinham se afastado por conta dos violentos hooligans. Outra estratégia inteligente usada é que são poucos os jogos que são alvos de transmissão televisiva, o que faz com que o torcedor vá ao estádio. Nem por isso os lucros das equipes são menores do que outros países. Pelo contrário, o futebol inglês é, de longe, o mais bem-sucedido financeiramente, da Europa. Uma equipe que termina entre os três primeiros na Premiership, fatura entre £44m e £55m com cotas de televisão, prêmios, receitas de bilheteria e outras fontes de renda comerciais, como merchandising, etc. Com o aumento do faturamento dos times, aumentam também os rendimentos dos jogadores. Na temporada 91/92 o salário anual médio de um jogador da Premiership era de £75.000, enquanto que na temporada 2001/02, foi de £600.000. Depois de gastar £1 bi em melhorias, a média de público vem aumentando a cada ano. Na presente temporada, a assistência média é de 33.559 torcedores por jogo. Com a melhora em infra-estrutura nos estádios e grandes investimentos, o preço do ingresso também sobe. Na temporada 2001/02 o preço médio de um ingresso para um jogo da Premiership era de £25 (aproximadamente R$ 80), e mesmo assim, as taxas de lotação dos estádios estão entre 80 e 90%. E um fator interessante que ocorre na Inglaterra, é que mesmo em cidades pequenas com clubes em divisões inferiores, os torcedores têm ido aos estádios em grande número. Na Football League (equivalente a Segunda Divisão) a média de torcedores na temporada 2001/02 era de 15.000 espectadores por jogo, enquanto que na Second Division (que equivale a Terceira) era de 7.200 torcedores e na Third Division (como já deves supor, equivale a Quarta) era de 4.345. Ao contrário de países como Portugal, que o fosso entre os grandes e pequenos parece crescer cada vez mais. Ao compararmos o poder financeiro de Sporting, FC Porto e Benfica e das outras equipes do país, observamos grande disparidade. A média de torcedores por jogo também nos deixa ver essa diferença facilmente. Enquanto Benfica, FC Porto e Sporting tem médias por volta dos 30mil torcedores por jogo, todas as outras equipes, exceção feita a Vitoria e Braga, tem média de torcedores inferior a 10mil por partida. E equipes como Penafiel, Rio Ave e Gil Vicente tem assistências médias menores que 5mil. Para se ter uma idéia, o Marítimo tem média inferior a times da Quarta Divisão inglesa. Mesmo após a Euro 2004, com belíssimos estádios, o público não tem comparecido, apesar de algum crescimento em relação a temporadas anteriores. De onde se conclui que apenas a melhoria em infra-estrutura dos estádios não é suficiente. Não é porque deu certo na Inglaterra, que vai dar certo em todos os cantos do mundo. Cada país tem que achar sua própria forma de tornar seu campeonato mais atraente de acordo com seu poder econômico e diferencas culturais futebolísticas.

06 janeiro 2006

Los rojillos a surpreender

Uma das grandes surpresas da atual temporada espanhola, o Osasuna mantém-se em segundo na tabela de classificação. Mesmo após mais de 4 meses de campeonato disputados, a equipe de Pamplona se encontra apenas 2 pontos atrás do poderoso Barcelona. Com uma equipe entrosada e bem treinada pelo mexicano Javier Aguirre, os rojillos estão a surpreender com um bom futebol de toque de bola e aplicação tática. No plantel, nada de estrelas. O mais conhecido talvez seja o atacante argentino Bernardo Romeo, outrora grande promessa do San Lorenzo, com passagens por Hamburgo e Mallorca. O segredo do sucesso do Osasuna é a manutenção de um time-base que já joga junto há 2 ou mais anos, com a adição de bons jogadores. No verão de 2005, chegaram ao El Sadar Ricardo, arqueiro ex-Man Utd, o já citado Romeo, do Hamburgo e Marcelo Sosa, uruguaio do Atletico de Madri. Mesmo com as saídas de jogadores importantes como o volante Pablo García, vendido ao Real Madri, o atacante australiano Aloisi que rumou ao Alavés e o uruguaio Richard López que se transferiu ao Málaga, a equipe consegui melhorar e muito seu desempenho, em relação ao da temporada passada, em que terminou em 15º, com 46 pontos, apenas oito a mais do que já tem agora.

Basicamente, a equipa titular que alinhou os ultimos jogos é formada por: Ricardo, Javier Flaño, Cuellar, Josetxo (Miguel Flaño) e Clavero; David Lopez (Valdo), Puñal, Raúl García e Delporte (Moha); Milosevic e Webó (Romeo).

Um dos pontos fortes do Osasuna, além do entrosamento e disciplina tática, é a marcação. Sempre muito bem defensivamente, conta com uma boa proteção defensiva e são a terceira melhor defesa da Liga. No gol, um titular indiscutível. Ricardo, ex-jogador do Manchester, foi contratado esta época e não está a decepcionar. Sempre seguro, este experiente guarda-redes de 34 anos vem mostrando toda sua qualidade nessa temporada. Na linha defensiva, um lateral direito muito eficiente. Javier Flaño, que atuou em 14 das 17 partidas nesta época, tem apenas 21 anos e já vem chamando a atenção de outros clubes da Espanha. Quanto aos centrais, Josetxo e Cuellar estão a jogar o essencial e necessário para fazer com que a equipa não tome gols. É na linha de meio-campo que joga um dos maiores destaques do time de Pamplona. Ludovic Delporte, extremo esquerdo francês de 25 anos é o principal jogador desta equipa. Sempre com boas jogadas pelo flanco esquerdo, vem sendo uma das armas do Osasuna para chegar as vitorias na Liga. É correto citar também, a regularidade do jovem Raul Garcia, que disputa sua segunda temporada na equipe e foi titular em 14 das 17 partidas da atual temporada. No ataque, Webó e Milosevic formam a dupla titular, com Romeo sempre a entrar no decorrer das partidas.

Um dos fatores que podem ajudar o time de Osasuna a manter essa forma vitoriosa até o fim da época é o fato de não disputar competições európeias, visto que foi eliminado na primeira eliminatória da Copa da UEFA pelo Rennes. Sabemos que equipes sem grandes plantéis sofrem ao disputar duas competições, e o sonho europeu pode custar caro. Um exemplo disso é o Strasbourg, da França, que disputa a UEFA, se classificou em seu grupo, mas ocupa a última posição do Campeonato Francês. Enquanto equipes como Barcelona, Villarreal e Real Madrid enfrentam verdadeiras maratonas, los rojillos apontam todas suas forças para a disputa da Liga, já que na Copa do Rei, a equipe está a poupar os principais jogadores. Atualmente, a esperança no El Sadar é superar o 4º lugar conseguido na temporada 90/91 e assim, classificar-se para uma competição européia.

05 janeiro 2006

Tiro no escuro


Será que vale a pena investir 7 milhões de libras em um jogador de que mal se ouve falar? Para Malcolm Glazer, sim. Foi anunciada hoje a contratação do defensor sérvio-montenegrino Nemanja Vidic (quem?!) do Spartak Moscow para o Man Utd. Valor oficial não informado, mas o que a imprensa fala por lá é em torno de 7 milhões de libras. Com a época já acabada para os antes temidos Red Devils, após a eliminação na Champions League, e o campeonato local já nas mãos do Chelsea, só resta pensar na temporada que vem. Essa já era. Vai ver era isso que estavam pensando os diretores da equipe de Old Trafford, ao dispender essa bagatela em um jogador que pouquíssimos sequer ouviram falar. Se formos levar em conta as últimas contratações do Manchester não é de se surpreender. Depois de jogadores do calibre de Djemba-Djemba, Ben Foster (isso mesmo, o 3º goleiro do Stoke City) e Tim Howard (guarda-redes norte-americano!) torrar £7M em um desconhecido não é nada para se espantar. As vezes penso que a idade está a afetar o juízo do lendário Sir Alex Ferguson. Hoje, na apresentação de Vidic, essas foram as palavras do manager: "Nemanja é um zagueiro rápido e agressivo, e aos 24 anos será um grande reforços para o elenco". Podemos até discutir a qualidade técnica do jogador, mas quem sou eu pra dizer o que Sr. Glazer deve fazer com seus bilhões de dólares? Afinal, ainda nem cheguei no meu primeiro milhão...


OBS: Para os mais desavisados, o rapaz ai da foto com a camisa 5 é o famosíssimo Nemanja Vidic.

01 janeiro 2006

A Doutrina Mourinho

Um dos maiores conhecedores táticos do futebol mundial de todos os tempos. Esse é José Mourinho. Por muitos, considerado arrogante. Pode até ser, mas algo não pode se negar a seu respeito, é competente. Afinal, levar o FC Porto a conquistar a Europa por duas vezes não é tarefa para qualquer "treinador" (desses que se dizem bons, como Rijkaard, entre outros que não merecem ser citados neste espaço). Me recordo de uma cena que me fez pensar. Os jogadores portistas comemorando a maior conquista de suas vidas, eufóricos e Mourinho ali num canto, sério, pensativo. Então veio a notícia que, antes mesmo da final, ele já havia acertado com o Chelsea, de Abrahamovich. Estava a transferir-se para o clube com maior poder financeiro do mundo, e com um salário de fazer inveja a Capellos, Wengers e Fergusons da vida. Ao assumir, trouxe com ele para Londres, jogadores de sua confiança. Não lhe interessava o que a imprensa ia dizer de jogadores como Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho (um dos maiores centrais que já vi jogar) e Tiago Mendes. A única coisa que lhe importava era que tais jogadores iriam render em suas mãos tudo o que podiam. E o fizeram. Juntamente com os 3 trazidos de Portugal, vieram Didier Drogba (segundo atacante mais caro da história do futebol britânico), Petr Cech e Mateja Kezman.

O jogo de Mourinho se baseia em duas palavras: disciplina tática. Tão falada nos dias de hoje, a tal disciplina é a chave para o sucesso das equipes dirigidas pelo Zé. Para se ter uma idéia da disciplina que exige de seus jogadores, recentemente Joe Cole estava a jogar bem, mas de maneira individualista. Mesmo com o Chelsea a ganhar a partida tranquilamente, após o jogo Mourinho falou "Mais um jogo para a torcida, e ele está fora do time". Treinado até a exaustão, o posicionamento dos jogadores dentro de campo, em diferentes situações ofensivas e defensivas, é crucial no futebol de hoje. É a perfeição nesse fundamento que leva o Chelsea a ser uma das grandes equipes do mundo. Outro ponto muito específico do qual Mourinho dá importância extrema é a transição. Tanto ataque-defesa, quanto defesa-ataque. Para entender melhor o que seria o momento de transição, lhes recomendo ler este ótimo artigo de meu colega, Rotura. Mais do que tudo, o Zé é um homem que se preparou para assumir tal função. Desde sua juventude que determinou que estudaria tudo o possível sobre o jogo. E assim o fez, se tornando um dos maiores conhecedores futebolísticos do mundo. Seus relatórios sobre equipes adversárias são espantosos, minuciosamente preparados para mostrar a seus jogadores os pontos fracos e fortes do próximo adversário. Muitos dizem que é ali que Mourinho ganha seus jogos. Nos detalhes. Desde como um defensor adversário se posiciona em um escanteio até a maneira com que se movimenta o atacante quando a bola vem pelo alto. Me parece que Mourinho e seus assistentes passam 24h por dia, 7 dias por semana, analisando os adversários. Mas não, o Zé ainda tem tempo de ironizar Arsene Wenger, e bater boca com Sir Alex Ferguson.