Só Henry resolve?

Para começar essa série de análises, começarei com a França. Sempre foi uma seleção que viveu de ciclos. Uns bons, outros nem tantos. Na década de 50 jogava um grande futebol com Kopa e Fontaine. Nas décadas de 60 e 70 ficou em baixa. Já no mundial de 78, surgia uma grande estrela: Michel Platini. Mas os franceses não tiveram sorte no sorteio e caíram logo na primeira fase da competição. Em 82, com Platini em seu auge, a França jogou um grande futebol, que a levou até a semifinal, onde perdeu para a Alemanha, em uma batalha épica. Mas em 84, os franceses se redimiram e venceram a Eurocopa em sua casa. Na Copa de 86, mais uma vez, os alemães acabaram com a festa dos franceses. Após a saída de Platini, a França viveu momentos não muito bons no futebol, ficando fora das Copas de 90 e 94. Em 98, como anfitriões, fizeram um bom time. Empurrados pela torcida e pelo talento inquestionável de jogadores como Zidane, Lizarazu e Petit. Além de jogadores com muita garra como o capitão Didier Deschamps e os defensores Desailly e Thuram. No Mundial da Coréia e Japão, muito se esperava dos franceses, mas com a lesão de Zidane e problemas internos, caíram na primeira fase. Agora, quem vive seu grande momento, é Thierry Henry. Mais experiente, mais inteligente e cada vez mais, mortal. No Arsenal, é a peça principal. Sem Henry, os Gunners se perdem em campo.
A atual seleção da França alinha, basicamente com: Coupét; Reveillére (Sagnol), Boumsong, Thuram e Gallas; Vieira, Dhorasoo (Diarra), Zidane e Wiltord (Giuly); Henry (Govou) e Trezeguet (Cissé).
O treinador Raymond Domenéch alinha no 4-4-2. Com Vieira e Dhorasoo mais atrás, e Zidane mais avançado pela esquerda, e Wiltord mais pela direita. No papel, os franceses tem uma grande equipe, mas sofrem com algumas dificuldades, principalmente defensivas. Ao que me parece, Vieira não rende na Seleção o que rende na Juve, e isso enfraquece o sistema defensivo, do qual ele deveria ser o principal na contenção à frente da defesa. Dhorasoo é um jogador mais de toque de bola, e organização do meio-campo. A marcação não é o seu forte. Já Zidane, está em fim de carreira, não é mais aquele Zidane de 3, 4 anos atrás, mas ainda assim é um craque, e como todo craque, pode decidir uma Copa com um lance de genialidade. Me agrada muito ver jogar Wiltord, um jogador que mesmo não sendo mais um garoto (já tem 31 anos) ainda tem arrancadas em direção à linha de fundo que são impressionantes. Sempre procura um cruzamento ou um bom passe, e é uma das razões do atual sucesso do Lyon. No ataque, não há o que falar. Henry e Trezeguet são uma das melhores duplas de ataque da história do futebol francês. Henry, um dos grandes do futebol mundial, assim como Trezeguet. Quanto aos suplentes, destaco Alou Diarra, médio defensivo de grande capacidade de marcação e boa saída de bola. Além é claro, de jogadores como Giuly, Malouda e Cissé, que está em boa fase no Liverpool. Como todo seleccionado, os franceses tem pontos fortes e fracos. Entre os pontos fortes, destacaria o poder ofensivo da equipe, além do ótimo goleiro Coupét. Já entre os pontos fracos, Domenech deveria se preocupar com sua defesa. Sinceramente não confio em Boumsong como titular da França e Dhorasoo poderia dar lugar a Diarra, para aumentar o poder de marcação da equipe. Com tudo, os franceses tem uma boa seleção (não tão boa quanto à de 98) e podem chegar a uma semifinal, quem sabe. É um time em processo de renovação, depois do fiasco de 2002, e de um time em renovação, nunca pode se esperar muito. A pergunta é: Será que só Henry resolve, assim como faz no Arsenal? A resposta para esta pergunta teremos que esperar até 9 de junho, data da estréia frente a Suíça.





